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Morte de 350 animais em 10 dias intriga biólogos no litoral de SP

O número de animais marinhos encontrados mortos nas praias do litoral de São Paulo passou de 350 apenas no mês de agosto. O fenômeno chamou a atenção de pesquisadores do Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC), que analisam as causas da mortandade de pinguins e tartarugas. Os que são recolhidos ainda com vida são tratados em centros de reabilitação.

Desde o dia 1º de agosto, 272 pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) e 90 tartarugas-verdes (Chelonia mydas) foram encontradas nas praias do litoral do estado, totalizando 362 animais marinhos. De acordo com o IPeC, 90% deles foram encontrados em Ilha Comprida.

Tartarugas-verdes também foram encontradas mortas nas praias do litoral de SP (Foto: Reprodução/TV Tribuna)
Tartarugas-verdes também foram encontradas mortas nas praias do litoral de SP (Foto: Reprodução/TV Tribuna)

Os pinguins-de-magalhães habitam as zonas costeiras da Argentina, Chile e Ilhas Malvinas, migrando por vezes até o Brasil, no Oceano Atlântico, ou até o Peru, no caso das populações do Oceano Pacífico. A migração da espécie acontece no período mais frio, quando os animais podem encontrar na costa brasileira águas mais quentes e comida mais farta, pois cardumes de peixes também migram por conta das baixas temperaturas.

Para tentarem descobrir a origem de tantas mortes, os técnicos estão levando os pinguins encontrados sem vida para avaliação no laboratório do instituto. No local, eles coletam material e medem as partes do corpo da ave, que indicam se ela era juvenil ou adulta. Cada análisa leva, em média, 40 minutos.

Técnicos realizam necrópsia para descobrir causas da morte de animais (Foto: Reprodução/TV Tribuna)
Técnicos realizam necrópsia para descobrir causas da morte de animais (Foto: Reprodução/TV Tribuna)

A médica veterinária que chefia a equipe do IPeC, Arícia Benvenuto, conta que a fase de necrópsia é importante para ver o que há em comum entre os animais mortos. “Em relação aos pinguins, a maior parte deles teve interação com a pesca, ou seja, ficaram presos em redes de pesca. Conseguimos ver várias lesões e machucados nas nadadeiras que indicam isso. Mas esse foi um problema secundário, todos eles já estavam debilitados antes”, explica.

De acordo com a especialista, a maioria dos animais encontrados mortos estava em fase juvenil. Por ser a primeira grande viagem deles, muitas vezes os mais jovens se afastam do grupo, ficam cansados, com fome, e isso os torna mas vulneráveis, além da inexperiência.

Pinguim encontrado com vida passa por reabilitação no IPeC (Foto: Reprodução/TV Tribuna)
Pinguim encontrado com vida passa por reabilitação no IPeC (Foto: Reprodução/TV Tribuna)

Quando são encontrados ainda com vida, os pinguins são resgatados pelos pesquisadores do IPeC e levados para o centro de reabilitação. No local, eles recebem tratamento em um ambiente tranquilo, com pouco barulho e muita luz. Após a recuperação, é realizada a soltura dos animais nas águas.

Além dos pinguins, seis tartarugas-verdes também passam por reabilitação, com soro, água e descanso. A ideia é devolvê-las ao mar o quanto antes. Elas ficam em quarentena e, de acordo com o desenvolvimento do tratamento, os veterinários voltam a inserir os animais no tanque aos poucos, para que eles possam voltar para o oceano.

Apesar dos primeiros resultados dos estudos, os técnicos seguem analisando o fenômeno para definir a causa da grande mortandade.

Pinguins foram encontrados mortos em Ilha Comprida, SP (Foto: Divulgação/IPeC)
Pinguins foram encontrados mortos em Ilha Comprida, SP (Foto: Divulgação/IPeC)

Tartarugas são tratadas para que voltem ao oceano o mais breve possível (Foto: Reprodução/TV Tribuna)
Tartarugas são tratadas para que voltem ao oceano o mais breve possível (Foto: Reprodução/TV Tribuna)


Tartarugas são tratadas para que voltem ao oceano o mais breve possível (Foto: Reprodução/TV Tribuna)

Via: G1

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