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Número de vítimas atingidas por gás tóxico durante incêndio em Santos sobe para 98 pessoas

O incêndio que resultou na emissão de gás tóxico em Santos, no litoral de São Paulo, levou ao menos 98 pessoas a hospitais. A empresa, que tinha autorização para funcionar como uma marcenaria, estava armazenando clandestinamente ao menos duas toneladas de um produto utilizado para eliminação de pragas.

O sinistro ocorreu nesta segunda-feira (8) e foi controlado após intervenção de 20 equipes do Corpo de Bombeiros, que inicialmente não foram informadas pelo proprietário sobre o material tóxico ali guardado. A região foi isolada, moradores foram evacuados das casas e equipes ambientais acionadas.

Na manhã desta terça-feira (8), o que restou da substância, neutralizada com areia, vai ser removida do galpão que acabou destruído pelo incêndio e será levada a um lugar isolado. A operação será acompanhada pelas equipes de emergência, que decidiram pelo transporte do material para garantir a segurança das pessoas e do meio ambiente.

Areia foi despejada em produto químico para neutralizá-lo e evitar emissão de gás tóxico — Foto: Divulgação/Cetesb
Areia foi despejada em produto químico para neutralizá-lo e evitar emissão de gás tóxico — Foto: Divulgação/Cetesb

O que se sabe até agora:

Marcenaria armazenava mais de 2 toneladas de fosfeto de alumínio;
Produto químico é utilizado para a eliminação de pragas em barcos;
Área foi isolada e incêndio foi controlado durante a madrugada;
98 pessoas atendidas (62 moradores) por suspeita de intoxicação;
Polícia, Ibama, Cetesb, Prefeitura investigam irregularidades no local.
Técnicos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informaram que a substância foi liberada no ar na medida em que as chamas eram apagadas pelos bombeiros. Trata-se do gás “fosfina”, denso, com odor característico de alho e inflamável, cuja emissão ocorre da reação do fosfeto de alumínio com a água.

Os bombeiros encontraram o produto em frascos armazenados nos fundos do galpão e, segundo a equipe de emergências da Cetesb, a autoridade ambiental paulista, seria destinado para fumigação visando a eliminação de pragas em embarcações atracadas no Porto de Santos. O local não tinha autorização para a atividade.

Segundo a Prefeitura de Santos, a empresa Pier Embalagens de Madeira Ltda tinha inscrição municipal emitida para atuar como comércio de madeira e artefatos. “Do ponto de vista documental, ela possui alvará de funcionamento desde 2000 e o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) está válido até 2021”.

Galpão, próximo ao Porto de Santos, SP, foi destruído por incêndio — Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros
Galpão, próximo ao Porto de Santos, SP, foi destruído por incêndio — Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros

O capitão Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros de São Paulo, informou que a polícia investiga a situação de eventual armazenamento irregular do produto, assim como as causas do incêndio. Ele também explicou que as equipes permanecem de prontidão monitorando o local para evitar nova ignição do fogo.

A agente federal Ana Angélica Alabarce, do núcleo de emergências do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), informou que o orgão também abriu investigação. “Se a empresa não estiver inscrita no Cadastro Técnico Federal para manusear o produto, certamente será autuado”.

A Defesa Civil manteve a área isolada, mas na noite de segunda-feira (8), permitiu que os moradores retornassem para as residências no entorno. A Prefeitura de Santos mantém o bloqueio para veículos na Rua Doutor Cochrane, entre as ruas João Pessoa e General Câmara, e o armazém foi interditado até a retirada dos resíduos.

Via: G1

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